quinta-feira, 7 de março de 2019

Primeiros desenhos de paisagem

1
25/02/19
Primeiro desenho de paisagem que fiz na aula do Professor Getúlio.

Um lápis B.
Uma casa em frente à Guignard.
Uma noite.
Um olhar.




Um lápis 2B.
Uma cidade iluminada.
Na noite havia nuvens.
E a paciência, na escada!


Quinto dia de aula, fim da 1ª Semana!

Quinto dia de aula 

“O Artista é um servidor que coloca seu propósito a serviço da Alma” - Tarkovski


As mãos são uma extensão do coração.
Como fazer chegar na inteligência, este é o lugar do professor.
A diferença vem para nos fazer encontrar e não para separar.

Tivemos uma linda sexta-feira.
A primeira de muitas.

Laboratório de Licenciatura 1

Fundamentos do Ensino da Arte 1



E assim passou a primeira semana de aula na Guignard. A cada dia a turma foi ficando mais entrosada. Em cada aula conversamos mais e nos conhecemos um pouco mais. Isso é muito bom.


Gostei de todas as professoras e professores. Tenho muita coisa para aprender e para desenvolver ali. 

Terceiro e quarto dias de aula


Terceiro dia de aula 

Hoje, quando estava vindo para a Guignard, novamente fui tomada por um sentimento de amor profundo. Que incrível! A sensação da minha Alma me agradecendo por estar aqui.
Estou gostando muito de estudar à noite.
Estou gostando muito de estudar.
Estou gostando muito.

Para mim, a observação do objeto para desenhá-lo é algo que "limpa o olhar".

Desenho de objeto.



Quarto dia de aula

História da Arte no Brasil 

Este artista não é brasileiro, mas me impressionou muito. E ele é de Dresden, Alemanha, cidade onde vivi, ao estudar dança na Palucca Schule Tanz Dresden, de 96 a 98.


© Gerhard Richter, Abstraktes Bild 559-1, 1984, Kunstsammlung der Hypo Vereinsbank, Member of UniCredit




Processos Expressivos e os Sapatos Vermelhos


Pensando na conversa da aula de ontem sobre Processos Expressivos, me lembrei da História dos “Sapatos Vermelhos”, que me inspirou para a criação do meu primeiro solo da “Trilogia do Feminino”, “Mulher Selvagem”. Essa história está no livro “Mulheres que Correm com os Lobos”, da pesquisadora Clarissa Pínkola Estés. Em meu trabalho, escrevi a seguinte  adaptação desse conto:


Como foi que fiquei assim?

Os meus sapatos vermelhos eu mesma fiz com os retalhos que encontrei pelas ruas onde vivi. Eram o orgulho, a honra e a sobrevivência dessa pobre menina, durante o inverno.
Um dia vi uma carruagem dourada se aproximando. Ela parou do meu lado e de dentro dela uma velha senhora me convidou para ir com ela. Fui. Acreditei que o que ela me ofereceria seria muito melhor do que o que eu tinha!

Chegando na mansão da velha havia roupas e sapatos novos para mim. Tudo era bege claro. Me troquei e quando me dei conta, ela, a senhora, havia jogado os meus sapatos vermelhos na lareira.
Não deu para salvar nada. Restaram as cinzas. Cinzas e “beges claros”.
Ela quis que eu fizesse a primeira comunhão. Saímos para comprar sapatos novos para este evento tão importante para ela.

Entramos em uma loja onde havia um lindo par de sapatos vermelhos. Era tudo o que eu queria, mas a senhora nunca permitiria. Que que eu fiz? Na hora de embalar, troquei os sapatos beges horrorosos que ela havia comprado para mim, pelos vermelhos. Pronto. Estava feito.
Chegado o grande dia, na hora de entrar na Igreja, pus os meus sapatos vermelhos e entrei triunfante! A Igreja se calou. Em seguida as pessoas começaram a sussurrar coisas infames a meu respeito: “mulher...artista...vagabunda...” Até que alguém que nunca pecou atirou a primeira pedra. Começaram a gritar para que eu saísse dali.

Só que ao invés de correr eu comecei a dançar. E dancei linda e poderosa uma dança que só eu poderia fazer. Quanto mais gritavam, mais eu girava, pulava e gostava. Eu não pertencia àquele mundo hipócrita.

Desci a escadaria da Igreja aos saltos e fui dançando por toda a cidade, em cada canto, em cada gueto, livre!

Até que quis parar e vi que não podia. Não mais. Não conseguia mais parar. Eram os sapatos que dançavam agora. Descontrolados. Eu apenas os obedecia. Eles me levaram em direção à floresta, rumo à casa de um carrasco. Pensei ser a minha salvação, pois se ele cortasse as fivelas eu me veria livre dos sapatos! Só que não deu certo. Eu estava grudada neles. A verdade é que eu já pertencia a eles há muito tempo. Eu estava exausta.

O carrasco olhou para mim. Ele era forte e cruel, é verdade. Mas era ele  quem estava do meu lado.
Eu não tinha escolha. Eu não tive escolha. Ele tinha um machado nas mãos. Foi quando olhei no fundo dos seus olhos e lhe dei uma ordem :

- “CORTA OS MEUS PÉS.”


A reflexão que fiz relacionando o conto dos sapatinhos com os processos expressivos foi a seguinte:

Os sapatinhos vermelhos foram um processo expressivo da menininha. E foi um processo expressivo muito profundo, pois estes sapatos representavam o caminhar da menina no mundo.
Quando a velha senhora queimou os sapatos isso foi uma castração. Foi um processo de mutilação profundo.

A essência expressiva da menina foi negada, sabotada, anulada.
A potência expressiva (mulher selvagem) foi jogada para o mais fundo do inconsciente. Foi proibida. Mas desse inconsciente, os sapatinhos vermelhos irradiavam uma espécie de sinais magnéticos que atraíam como ímãs situações e objetos que estivessem relacionados a eles. Era um pulso profundo de vida e morte que irradiava do fundo da menina, a partir do desejo dos sapatos.

Hoje compreendo que foi por esse ímã profundo que os sapatos vermelhos foram atraídos e ficaram grudados nos pés da menina. E a fizeram dançar até a “morte”. Essa morte foi a auto-mutilação, quando a menina pediu ao carrasco para cortar seus pés.

E essa foi a minha história do livro. Com o arquétipo da Mulher Brava.
Eu chamaria também de “A Sabotadora”.

20/2/19

foto: Guto Muniz, do meu espetáculo solo de dança e teatro "Mulher Selvagem"

Primeiro e Segundo dias de aula


Primeiro  Dia de Aula – 18 de fevereiro

Que delícia! Primeiro dia de aula. Demorei para achar minha sala, mas achei. Estava com uma sensação muito boa no coração. É muito legal estudar aos 41 anos. Dá uma sensação de voltar no tempo. Parece que a gente rejuvenesce!
Conheci minha turma. Uma turma bem eclética. Uma turma ótima! Com pessoas de 22 a 65 anos.

Voltei para casa feliz. Com o sentimento de que algo muito bom acabava de começar!

Desenho de Paisagem



Segundo Dia de Aula – 19 de fevereiro

Fazer. Conhecer. Exprimir.
A professora nos mostrou um vídeo que me emocionou bastante e gerou uma ótima reflexão entre nós. ALIKE.
Entendo que o Processo Expressivo está diretamente ligado à liberdade de ser.

Voltando para casa eu sentia uma alegria! Engraçado isso. A sensação era de que minha Alma me agradecia por eu estar ali.

Processos Expressivos

Alike





Passei no vestibular!


Muito legal fazer vestibular aos 41 anos e passar em primeiro lugar! Me deu uma sensação boa, depois de períodos tão difíceis que andaram por aí... na verdade a vida ainda anda meio estranha... o trabalho está muito difícil. Viver de Arte no Brasil nunca foi fácil, mas estamos em tempos bem conturbados. Rarara! E resolvo fazer um vestibular para a graduação em  “Licenciatura em Belas Artes”! Sim. E estou muito feliz.
Foi um alento. Uma alegria. Um bom sinal. Como se o universo me dissesse: -“Vai por aí! Siga que vai ser bom!”.

Tenho muitos caderninhos. Anotações espalhadas em todos eles. E tenho também muitos blogs. E agora mais um! Ah! O que posso fazer? Bem... revisitando anotações mais antigas, de 2010, 2011, 2013... sempre nas minhas listas de próximos planos vinha escrito: vestibular para Guignard. Pois bem, finalmente chegou a hora!

Eu estava em dúvida se fazia ou não... muitos anos sem estudar, sabia que a prova de habilidade específica era difícil... mas meu marido me apoiou bastante e me incentivou. Sinceramente, esse empurrãozinho de ânimo que ele me deu foi importante!

Me inscrevi sem falar nada com ninguém. Prefiro assim. Gosto da sensação de fazer as coisas escondido. Depois posso contar tudo no Blog! Mas só depois que já fiz. Por quê? Porque as pessoas dão palpite errado demais. Por isso. Todos querem ser técnicos da sua vida, ao invés de se preocuparem com a própria. Então sempre faço assim: decidi tomar determinada atitude? Vou lá e faço. Foi assim quando me decidi em fazer minha tatuagem em 2003. Não perguntei nem comuniquei a ninguém. Fui lá, paguei e fiz minha tatuagem. O corpo é meu. A vida é minha. E a responsabilidade sobre meu destino também é minha. Sou eu que ocupo meu corpo e ninguém tem nada com isso.

Voltando à faculdade... me inscrevi caladinha. Fiz as provas de habilidades específicas, passei. Fiquei feliz! Estava em dúvida se passaria ou não... mas há quatro anos atrás fiz um curso livre de desenho na Guignard com a Letícia. Fiz porque me deu na veneta de fazer. Quis fazer um curso de desenho de observação para limpar meu olhar como coreógrafa. Na verdade, sempre invento de fazer algum curso de algo que nunca fiz para me desafiar, me estimular, me provocar. É bom aprender. É bom estudar. É bom conhecer pessoas novas e conversar, trocar ideias. Pois bem, esse curso de desenho que fiz com a Letícia me ajudou muito na hora dessa prova de habilidade específica que foi um desenho de observação e um desenho de criatividade.

O vestibular foi 20 de janeiro. Eu não ia viajar mesmo. Li os livros. A barca dos Amantes e O Triste Fim de Policarpo Quaresma. Fiz o vestibular.

Em fevereiro saiu o resultado. Só então falei para todo mundo. Meus pais ficaram muito felizes e toda a minha família e meus amigos. Quanto a isso tenho muita sorte. À minha volta, todas as pessoas sempre me apoiaram e incentivaram para que eu seguisse minha carreira na Arte.